Literalmente falando


A velha e o quadro

Reminiscências de um visita.

 

Na minha rua, rua de infância, algum tempo atrás, havia uma casa, onde morava uma velha que tinha um quadro. Era uma casa simples, com paredes sem reboco, quase isolada na rua. O espaço era pequeno, talvez dois ou três cômodos, a sala era pequeníssima. Havia também uma mesa forrada com um pano branco bordado, em cujas bordas havia tiras, e sobre a qual havia uma caneca. A velha era muito magra. Falava inclinando-se para frente, quase afônica. Era tão feia que mais parecia uma assombração. Pulei da cama durante várias madrugadas, suando frio, em virtude dessa figura que ficou impregnada em meu cérebro tão fértil. Tinha muito medo daqueles cabelos secos, daquelas unhas tortas e sujas, daqueles olhos que mais pareciam buracos negros. Um dia me tocou. Paralisei. Num “estado papel sulfit”, quase não respirava. Congelei. Um dedo em meu ombro, outro apontando para o quadro. “Aquele ali”, sussurrou com uma voz rouca e arrastada (sotaque pernambucano bem forte), “é São Jorge”. Eu não sabia quem era São Jorge. Meu profundo conhecimento religioso aos cinco ou seis anos de idade e minha formação protestante, por algum motivo até hoje não desvendado, subtraíram-me essa informação. Muito menos saberia o que ela pretendia dizer com aquilo. Meus olhos arregalados apenas o apontaram compulsoriamente. Esses segundos foram horas. Perplexo, continuava obervando-o enquanto minha alma pedia socorro, buscando qualquer brecha pra fugir daquele recinto. Até hoje não sei o que fui fazer lá... Acho que alguém me levou... Sua unha continuava pesando em meu ombro. Não sei se ela percebia meu nervosismo. Não sei se ela percebia mais alguma coisa na vida... Fiquei ali, como que admirando o quadro, como que interessado naquela “obra de arte”. Senti quando quis explicar-me São Jorge (puxou oxigênio das profundezas de seus pulmões onde ainda havia fôlego de vida e fez menção de que iria realizar um discurso), mas viu meus pés escapulindo e dirigindo-se à porta de saída e desistiu. Acho que a frustrei. Mas não guardei peso na consciência. Tenho a impressão de que era uma velha frustrada e uma frustração a mais não iria causar-lhe maiores danos. Vi então a luz do sol quando abri a porta. Nesse momento - não lembro se estava só - senti-me feliz de ver a vida do lado de fora. Acho que aí minha cor e respiração foram voltando paulatinamente ao normal. Ainda olhei para trás e vi a mesa, a caneca, o quadro e a velha, olhando pra mim, não sei com que olhar, mas metia-me medo. Saí, ufa! Acho que fui correndo pra casa. Durante toda minha infância fiquei com medo de velhas. Sempre associava uma velha a uma mesa branca, caneca e São Jorge. Se fosse supersticioso, não sei o que formaria com esses belos símbolos...

Gostaria de ter associado: “eu na lua, sentado a uma mesa branca tomando café ou chá numa bela caneca com São Jorge...” Se tivesse feito essa associação, talvez tivesse menos pesadelos. Mas e a velha, onde ficaria?

Ah, com certeza eu a entregaria ao dragão.



Escrito por Josué Mendonça às 23h19
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À Roberta Tostes, bailarina do Orkut.

 

PARTE I

 

És vento ou fogo, porque não sei como tocar.

És ferida, porque vejo aberta.

És bebê, porque sensível.

És artista, porque deslumbrante.

És noite, porque dá medo.

És verdade, porque a revelaste.

És e não és, porque te afastas de ti.

És água, porque transparente.

 

És irmã gêmea, das palavras.

És escrava, porque já te apaixonaste pela dor.

És Fênix, porque renasces.

És platéia, porque “esperas demais”.

És sábia, quando encontras o “teu segundo”.

És espelho, porque passaste a crer no que escreves.

És pássaro ferido, porque voar é quase um sonho.

És muitas, porque te foges.



Escrito por Josué Mendonça às 15h34
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PARTE II

 

És areia fina, porque dispersa.

És livre, porque te arriscas.

És boba, porque namoras a solidão.

És luz, porque falas de amor.

És sonho ou pesadelo, porque dormes.

És escudo, porque te proteges.

És palco, porque te revelas.

És música, porque harmônica.

 

.

És guerra, porque dores.

És paz, porque te consolas.

És mãe, porque te crias.

És fé, porque persistes.

És seda, porque leve.

És abismo, porque profunda.

 

És criança, porque passado.

 

És pensamento, porque transcendes.

És tu, porque... fadada(?).

És faca, porque penetras.

És dor, porque a sinto.

És espelho, porque refletes.

És sertão, porque careces.

És rocha, porque forte.

És mulher, porque nasceste.

 

És o que és, pelo que és, para o que és, porque és, quando és.

És.



Escrito por Josué Mendonça às 15h32
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Sertanejo, vida de cão.

 

A seca me pariu nesse sertão solidão. A lua à noite fica quieta, distante... parada... não conversa comigo. Não tem boca, não tem rosto, congelada.

Vida de pobre. Meus pés, tanto chão. Barriga de verme, vivo sem condições. O sol meu carrasco. O grilo canta, o sapo canta(?). Sou só alma que vaga esquecida do mundo. Aqui tem seca, aqui tem pedra. Minha pele envelhece, pois quando moço já sou idoso. Os meus dentes já nem lembro... “Minhas vista” não tem óculos. Aqui tudo é magricelo. Quando engorda é doença. Comer fora ? No terraço...

Ah Sertão! Tu só paris gente feia, desnutrida, tão cansada, tão sofrida, tão explorada. Quando escreve, só o nome. Quando lê, o sobrenome. Sobrenome ? Sobrenome é coronel... gente humilde um apelido, zé, toin, biré.

Mão calejada, pé rachado, cabelo duro, coluna encurvada. Não tem pose, não tem moda, não tem glória, só trabalho. Ama tudo porque por tudo luta. Amo o chão, ama a caneca, ama o colchão. A roupa já virou corpo, o chinelo já virou pé, o chapéu já virou cabeça. Crescer só na estatura e olhe lá quando não virar anão...

Um remédio é uma conquista, uma escola um triunfo, o trabalho sua vida. Como tu és belo nordestino! E como dizem: “Antes de tudo um forte”! Tão discriminado, tão rejeitado, tão enojado. Ah, espíritos de porcos, vós não sabeis quem construiu esse Brasil! Vós não entendeis a vida dura, o braço forte, a consciência e a coragem de um nordestino! No nordeste sei quem sou, sei porque sou. O nordestino experimenta cada dedilhada de sua viola, cada apertada de sua sanfona. Tudo é muito intenso, tudo é muito único, tudo é muito divino. Conversa com bicho, conversa com a mata. Conversa com passarinho, conversa com a vaca. Quando a morte vem é mais um calo no coração. A alma chora, o corpo prende, tem que ser forte...

Oh Gonzaga, quanta saudade... Tu cantaste o teu povo, tua estória, tua pátria. Sonho de sertanejo é acordar vivo no outro dia pra poder labutar e criar filho.  Sertanejo tem família. Sua riqueza é o seu nome. Tem palavra, nunca foge. Tem decência. Na estante, só uma foto, preto e branca, desbotada, apagada. O filho nunca pede. Desde cedo aprende a conquistar o pouco que a vida lhe oferece. A vida deveria ter outro nome... desvida... invida...qualquer coisa. Pro sertanejo sempre serve qualquer coisa, tudo serve, tudo dá, tudo pode. Não tem escolha, só engole, desce seco, sempre engasga. Quando morre é um alívio da desvida que o matou.



Escrito por Josué Mendonça às 11h51
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Perda

 

Perder...

 

Se me for capaz descrever o vazio da perda, ao perder-me da vida seguirei ao panteão dos deuses, ou, ainda em vida, poderei ser coroado com a glória de louros.

Se me for possível figurar a alma congelada e perplexa, poderão construir-me uma estátua de bronze...

Noite fria, congelada, ando descalço, aflição.

Alma retalhada, afogada, triturada.

Coração como cristal fragmentado,espezinhado.

Fibra desmanchada.

Vazio do universo, do silêncio solitário, solidão.

Chão que nem abismo, abismo-escuridão, perdição.

Pássaro que foge, fugido, foragido, furação.

Dedos que se quebram, quebradiços, quebram tudo, colisão.

Faca que penetra, inquieta, indigesta, maldição.

Lágrima que escorre, que percorre, que transcorre, rouquidão.

Espírito que escurece, empobrece, endurece, diluição.

Corpo que embrutece, se fadiga, se estica pelo chão.

 

Perder... antes de deixar de ter é deixar de ser, de se ter, de se ater. Meu espírito esmaece, minha força entra em forca, minha voz...és tão só.  Quem dera perder deixasse vazio... Perder deixa buraco, deixa cratera. Minha alma abandona-me sem licença, perambula pelo chão e rastejando, suplica pela volta, não tem volta...não tem rota.

No instante exato da perda o meu mundo paralisa, o que penso entra em choque. Sou um curto-circuito. Espantalho no sertão. Absorto, apaixono-me pela dor. Meus olhos se embebedam, meu corpo se absorve, minha mente, lentamente...

Nesse instante o meu ímpeto se desfaz, quero paz. Viro criança, só sou lembranças... de momentos, de palavras, de gestos incertos, de olhares tristonhos, risonhos, sublimes.Viro-me em passado, que me habita, e não encontro saídas.

Minha mente se dilui, minha força não tem força, meus sentidos já não sei...

Nesse instante minha luta é derrota, minhas discrepâncias alianças, minhas mágoas compaixão, as ofensas só perdão.

Querer não é mais poder, fazer não é mais acontecer, amar...ah amar... que o universo te comunique o meu amor em luz de intensidade e fulgor. Porque te quis, porque te quero, porque te espero, porque... Ah... Já não sei mais porque.

Quando se perde, não se sabe mais porque fazemos, porque amamos, porque pensamos, porque lembramos.

Só sabemos que perdemos...

 

Mas sentimos...

que amamos.



Escrito por Josué Mendonça às 11h50
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Amizade

 

“Dedico a todos meus amigos, a todos que estão construindo amizade comigo, a todos de quem quero amizade e aos que a querem de mim.”

 

Amizade é terra que absorve raiz, é vento que dissipa as mágoas, é tijolo que constrói impérios.

Ser amigo é tocar o intocável, é desvendar a expressão do outro, é caminhar como que com a própria sombra.

Quando vejo, sou conhecido; quando olho, sou colega; quando enxergo, sou amigo.

Quem amigo é com amizade será ouvido, tocado, percebido, compreendido, afagado, fortalecido, perdoado, ajudado, aconselhado, respeitado.

A fronteira da amizade é o horizonte, a luz, o espaço.

O amigo deseja a unidade, condena a hipocrisia, respeita a individualidade, concorda com a verdade, abomina a deslealdade, gosta da reciprocidade, almeja a mais profunda compreensão, pratica a cordialidade, sempre ouve.

Amizade pode começar em areia, mas é construída em rocha. Não tem medo de tempestade, muito menos de vento. Tem colunas de aço e sobrevive a terremotos.

Não existe ex-amigo, não existe “fui amigo”. Renova-se a cada dia, preenche-se a cada dia, fortalece-se a cada dia.

Amigos são como almas que se percebem, luzes que se confundem, rio e mar quando se abraçam, lágrimas que se cruzam, cartas que se correspondem, sentimentos que se misturam.

Na amizade a dor é pra crescer, a queda pra levantar, o grito pra desabafar, as mãos para apoiar, o silêncio para compreender, a força para proteger, o rigor para disciplinar, o tempo para nutri-la ainda mais, a mágoa para ser esquecida, o erro para ser perdoado.

Amizade é quando se derrubam as paredes, se abrem os porões. O medo, a desconfiança e o preconceito cometem suicídio. A covardia, a inveja e o “querer controlar” fogem peja janela. O ciúme, as discórdias e a indiferença adoecem até morrer. No tribunal da amizade a infidelidade, a opressão e o desrespeito são condenados à prisão perpétua. Nos porões não existem ratos, nem sujeira. Na casa da amizade todos comem à mesma mesa.

 

Amizade...enfim, luz infinita no universo.

 



Escrito por Josué Mendonça às 11h49
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Homem

 

O que é homem?

 

Macaco, minhoca, muriçoca.

 

Home é aquele que busca, se busca, se perde, se despede, que perde. Homem é o que anda e desanda. Que desiste, mas persiste, que avança.

 

Tudo no homem é rico, tudo no homem é pobre. Tudo no homem é claro, tudo no homem é pálido. Homem que se expande, que se encolhe, que se atira, que se absorve. Homem que olha pra si, pra ser, pra ver, pra crer, pra ter, pra desmerecer.

Homem que cai, acomoda-se e incomoda. Que luta, às vezes espera... De quem se espera, de quem nada se espera, que se desespera. Que castiga, se castiga, se destrói, se reconstrói! Descobre, depois encobre... 

 

Homem: macaco, minhoca, muriçoca.

 

Nada vê, tudo sabe; nada sabe, tudo suspeita; nada faz, tudo refaz, tudo desfaz; nada pensa, tudo se preocupa, tudo acalenta. Nada ama, tudo se apaixona; nada quer, nada quis, nada quererá, tudo engole. Nada é, tudo incorpora; nada quer, tudo requer.

Homem é aquele que anda, que tropeça e retropeça. Que descansa e de tudo se cansa. Que mata, deixa morrer, tenta sobreviver. Tenta salvar-se, tenta livrar-se, tenta conter-se, tenta recriar-se. Que quer ganhar, não sabe perder, já se perdeu, já se encontrou. Tudo amou, nada solicitou; tudo conquistou, algo se aproveitou.

 

Homem macaco, minhoca, muriçoca.

 

Home é universo, é solidão; é semelhança, é distorção; é milagre, é burrice; é vontade, é mesmice. Homem é poder, é carência; é desejo, é descaso; é idolatria, é indiferença; é lembrança, é amnésia, é desavença.

O homem sabe ser cobra, sabe ser coelho; sabe ser onça, sabe ser gato; sabe ser barata, sabe ser borboleta; sabe ser deserto, sabe ser oásis; sabe ser rato, sabe ser queijo.

 

Homem: macaco, minhoca, muriçoca.

 

O home é ciúme e desprezo; é angústia e prazer; é verdade e inverdade, mentira... meias-verdades... É pureza e imundície; é revolta e....sangue.....suga......santo.

 

Homem! Pouco se entende, muito se cobra, muito se julga, pouco se acolhe. Tudo sente, muito esconde; tudo ama, tudo engana;tudo aprecia, tudo abandona.

 

Homem: macaco, minhoca, muriçoca.



Escrito por Josué Mendonça às 11h48
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Elo

 

Mergulho em teu olhar e descubro o brilho de teus olhos que me enfeitiça. Passeio em tuas palavras e chego ao teu coração. Enlaças-me com tuas idéias e me prendes à tua emoção. Toco tua alma, sinto tua essência, me acomodo dentro de ti e me sinto seguro. Resplandeces e me fazes sorrir. Canta e vejo a juventude. Quando me vês, me decifras através de meus gestos e sentes o batimento intenso de meu coração. Sugiro que venhas e tens medo. Estendo a mão e me olhas com olhar agudo. Teu sorriso, tua alegria, tua paz, minha vida. Entendo a tua euforia, choro a tua angústia. Levo-te para passear no parque e somos felizes. Teus cabelos, meu desejo, meu impulso. Teu sorriso discreto, cheio de malícia, de sedução. Toco em tuas mãos e sinto teu suor, o teu calor, a tua insegurança. Chamo-te pra dentro de mim e passas a conhecer o que nunca imaginaste. Meu sorriso, minha sinceridade. Abro os meus braços e suplico para que vivas em mim, pra mim. Viras as costas e me olhas de lado. Não irei atrás de ti. Quando penso que te conheço me surpreendes e acabo só, olhando as bobagens que fiz, a desgraça que fizeste. Nosso amor, um terremoto. Nosso tempo, nossa vida, nosso fim.

 



Escrito por Josué Mendonça às 11h47
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Longe de onde estivermos

 

Hoje decidi não falar de nada triste. Eu quero ver o teu sorriso resplandecente pra mim. Quero a tua voz soando baixinho, assoviando como o vento que sopra aqui perto de minha janela. Quero te ver com aquele vestido... aquele que vestiste no dia de meu aniversário, lembra? Quero o aroma, a fragrância do ar que sai da tua boca. Quero esse teu suor em forma de bolinhas borbulhantes que transbordam teu corpo quente e macio e grudam na minha pele. Quero tua felicidade... Essa felicidade que demonstras quando abres os braços e abraças o mundo à tua volta, quando tudo parece mal e você me olha com aquele olhar de: “Qual o problema?” É, você tem razão. Na verdade não existe esse problema... A tua felicidade parece um parque de diversão com todas as crianças se divertindo nos brinquedos. Tanto faz se for no cavalinho ou na roda gigante. A tua felicidade é a de uma mãe que tem seu primeiro filho, a de um pai que vê seu filho voltando de uma guerra sangrenta como vitorioso. É como um homem que acaba de ganhar um prêmio, ou talvez como a de alguém que se vê livre depois de tanto tempo aprisionado. Não. A tua felicidade não é nada disso, não pode ser comparada a nada disso. Não pode ser descrita assim tão facilmente. É bobagem minha querer defini-la. Como posso querer traduzi-la de forma tão pobre e vazia. Sabe onde posso encontrar a essência da tua felicidade? Sabe onde posso desvendar o segredo de tua alegria? Sabe onde posso encontrar esse paraíso onde vives? Poxa, está difícil... onde posso encontrar essa resposta?

Acho que vou procurar nas estrelinhas que moram no fundo de teus olhos. Será que aí desvendo o mistério? Eu estou confuso... Da outra vez quando mergulhei na via láctea de tuas pupilas, um cometa passou bem perto de mim e me jogou bem longe. Mas vou confiar outra vez, e quando eu estiver bem próximo da estrela principal, por favor, enche teus pulmões com toda força que tiveres e assopra os cometas e meteoritos pra bem longe de onde estivermos.



Escrito por Josué Mendonça às 11h46
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O vento

 

O vento... o vento da praça, o vento da rua, o vento do mar. O vento das tardes de domingo. O vento dos barcos, o vento das nuvens. O doce vento do carrossel. O vento da varanda, o vento da noite fria, da noite quente de paixão.

O vento... o vento das montanhas. O vento da primeira bicicleta, o vento do beco, o vento dos teus cabelos. O vento do assopro, do assobio.

O vento... o vento do quintal, o vento da janela, o vento do ventilador. O vento... o vento... o vento...Gosto do vento. O vento nos faz dormir. O vento nos faz sonhar. O vento nos deixa quietos e calmos. O vento da terra, o vento de céu que sopra, que sai, que vai, que vem. O vento é bom. O vento dos barcos, o vento das nuvens, o vento do sono. O vento dos sonhos...



Escrito por Josué Mendonça às 11h44
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Palavra

 

As palavras... o que são as palavras?

As palavras são a tua voz áspera ou a tua voz meiga.

As palavras são o que me constrange, o que me incomoda.

Palavra que dita, que provoca, que impõe. Palavras que podem fazer dormir, fazer sonhar, fazer gostar.

As tuas palavras, as minhas palavras...

Se falo, ouves e sorris. Se falas, penso e desconfio.

Com tuas palavras vêm tu e teu coração.

Se falo sou, ou faço de conta.

Ouves a minha voz e cantas. Ouço a tua voz e me assusto e me apavoro.

As palavras são o que somos, o que queremos ser e o que queríamos que fôssemos. As palavras são a vida e a morte. O começo e o fim.

As palavras acalentam. As palavras castigam e destroem.

A tua palavra é a tua espada e o teu escudo, a tua máscara e a tua essência. A tua palavra é a tua vontade e o teu clamor, a tua autoridade e a tua súplica. Constróis as tuas palavras com tua astúcia e sagacidade e me envolves em teu mundo, no mundo que queres pra mim. Não só me envolves, como me prendes e me acorrentas. Tuas palavras, minhas cadeias.

A tua palavra é o que vivo e o que sinto. O meu mundo, que é teu.

Palavras são ferozes ou castelos encantados.

Se falas, ouço, e logo deixo de ser. Se falo, ouves, e deixas passar.

A palavra é o conselho dos mestres, o grito dos oprimidos, o poder que pesa.

Palavras são a união e a separação, o que existe e o que crias.

Palavras são as mesmas, mas soam diferentes, pra pessoas diferentes, com destino e efeito eternos.



Escrito por Josué Mendonça às 11h42
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Tinta fresca

 

As flores e o amor. O amor da mãe que, com zelo, cuida dos filhos pequeninos e frágeis. O amor que cuida, que protege, que dá a vida. As flores da praça, do amor que toca com os lábios, do amor que promete, que arde, que faz sonhar. O amor das praças...as flores da praça... da juventude, dos momentos tranqüilos e calmos, calmos e bons. As flores do jardim, da fotografia de quando éramos crianças. As flores do parque, quando andávamos juntos de mãos dadas com nossos pais e éramos tão felizes, tão contentes. As flores das árvores que lentamente balançam com o vento suave que sopra à tardezinha. As flores do chão que pisamos sem querer. As flores das mães, as flores dos corpos que forma uma só carne. As flores pintadas de amarelo e vermelho no papel quando fazíamos o jardim da infância. As flores da mesa de jantar. As flores do mundo, de todo o mundo. A flor que murcha, que se abre pra vida. A flor e o cheiro, e a beleza. As flores que acompanham caladas e quietas os corpos gelados e insensíveis dos defuntos. As flores tão belas, tão puras, tão perfeitas nesse nosso mundo carente de beleza, de um pouco de beleza humana, beleza que vem de dentro. As flores são tão belas.



Escrito por Josué Mendonça às 11h38
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