Literalmente falando


À *

 

Eu descobri que não sei fazer poema de amizade. Desisto. Depois de três semanas tentando fazê-lo já posso receber o prêmio da incompetência.

Querida amiga * (como começaria uma carta de amigo), certo dia eu descobri um sorriso no orkut, era o teu. Que bom que nossa amizade nunca caminhou para além nem para aquém disso, para que assim eu pudesse perceber a cada dia a riqueza de simplesmente ou totalmente ser teu amigo. Minhas amizades são anjos que Deus colocou em minha vida por vontade dEle ou insistência minha, pra me estender a mão quando eu estivesse ora na terra, no ar ou na escuridão. Amigos pra mim são como almas que se cruzam no universo, se entreolham, se reconhecem e decidem ser irmãs. Gostei de você * porque meus sentidos me revelaram em segredo quão nobre era tua pessoa. Há quem diga que muitas vezes não precisamos falar muito pra dizer quem somos. A energia que teu olhar e sorriso transmitem já te apresenta e te define. Sinto-me bastante feliz quando tenho a oportunidade de expressar minha admiração pelos seres humanos e, particularmente, por pessoas como você que, de alguma forma, me presenteia com a sensação de que esse mundo é muito mais leve e mais belo do que imaginamos. Encanto-me com a tua forma simples e verdadeira de ser. É quase impossível pra eu hoje separar carisma de *, sempre te disse isso. Já te disse uma vez que você faz diferença no meu orkut, mas é mentira. Você faz diferença na minha forma de compreender e enxergar a vida, a amizade e os outros. Quero te ver sempre bem amiga. Quero poder sempre ter notícias de você. Quero poder sempre lembrar e ser lembrado de nossa existência. Quero que sejas sempre feliz e que possas compartilhar dessa felicidade com todos que convivem à tua volta.

 

Com carinho,

 

teu fã.



Escrito por Josué Mendonça às 01h22
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Até que a morte gere um epitáfio.

 

Casei com as palavras, anos atrás, numa cerimônia a sós e formamos uma só carne. Quando quero me materializar percorro ocidente e oriente em busca de letras e conjugações de letras que atinjam esse fim, nunca fácil. As palavras são assim pra mim, sempre o foram, uma forma de eu crer que existo fora de mim e de que posso olhar-me em minhas múltiplas expressões. Colocar letras num papel nunca me foi simplesmente escrever, mas transcrever traços de tudo aquilo que me constitui. Funcionam como um espelho, algumas vezes borrado ou ofuscado, mas com vestígios fortes de mim. Desentendemo-nos todas as vezes em que não exprimem o que quero, quando então as qualifico de burras ou insuficientes. Mas me conformo com a premissa de que limitadas tem de ser elas e não nós. Acho que somos infinitos...

Algumas querem se meter onde não são chamadas, intrusas que querem distorcer a verdade dos fatos... Outras não refletem da maneira adequada, mas são acatadas por serem as únicas. Tem aquelas que parecem carregar consigo a alma das coisas, têm identidade própria e não querem perder esse status... Há palavras que pelo desgaste do uso perdem um pouco do vigor e brilho, mas se observadas com atenção tem ainda muito a dizer. Relacionar-se com palavras nem sempre é fácil: elas têm vida própria e em todos os casos querem ser muito independentes. Talvez aspirem a ser gente, aliás, a ser tudo o que descrevem. Esse é o mal das palavras e precisam aprender a apenas significar tudo o que não são. Entretanto, não me divorciarei por causa disso, de alguma forma eu as amo e tenho a vantagem de que nunca ficarei viúvo, embora corra sempre o risco da traição...

Palavras em poema são retratos do abstrato, de tudo aquilo que minha mente constrói, destrói e reconstrói. Como poderia falar que te amo se não fosse o verbo amar? Donde se conclui que não há existência plena sem palavras...



Escrito por Josué Mendonça às 01h52
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